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Histórico da Cidade

SANTA CRUZ DO RIO PARDO - SP

Nos meados do século XIX, a região mais distante da então Província de São Paulo era constituída pelas vilas de Botucatu, Lençóis e a povoação de São

Domingos ou Tupá. Por ser a região última da Província de São Paulo, era conhecida como “Boca do Sertão”, de onde partiram os primeiros sertanistas liderados pelo mineiro José Theodoro de Sousa, na conquista de novas terras, no

Vale do Paranapanema, território desconhecido e habitado por índios.

 

Entre as muitas povoações surgidas no Vale do Paranapanema, nos meados do século XIX, uma delas foi desenvolvida, às margens do rio Pardo, na confluência com o ribeirão São Domingos. O lugarejo, então denominado Capela de São Pedro, passou a subordinar-se a Lençois  (atual Lençois Paulista). Muitos mineiros, em fuga das desgastadas minas de ouro e das turbulências da Revolução de 1842, estabeleceram-se na região, em meados do século XIX, formando um povoado, que fora denominado Capela de São Pedro.

 

Reza a tradição que, naquele povoado, uma grande cruz fora plantada, às margens do pardacento rio, sendo iluminada, à noite, com tochas e velas, para espantar os índios e outras possíveis ameaças. Por volta de 1870, a povoação da

Capela de São Pedro já contava com um significativo número de habitantes, entre eles, mais de duas centenas de escravos, o que a credenciava a tornar-se, entre os anos de 1872/1873, uma Freguesia, isto é, uma Paróquia, com a denominação de

SANTA CRUZ DO RIO PARDO. Embora dependente da Vila de Lençois, a condição de Freguesia atribuíra à antiga Capela de São Pedro um registro de nascimento, acelerando seu crescimento em direção à condição de Vila, o que aconteceu em 1876. Em 1877, a Lei nº 51 estabeleceu as divisas da nova Vila. Em

1884, após muitos sacrifícios e demandas, a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo galgou a condição de Comarca, procedendo-se a construção do Fórum e Cadeia.

A comunidade santa-cruzense vivera, durante algum tempo, nas últimas décadas do século XIX, sob as nuvens de arbitrariedades praticadas por autoridades policiais e por alguns juízes leigos. Em 1896, a Câmara Municipal da Vila tentou transformá-la em Cidade, no entanto, a pretensão não fora alcançada, por ferir normas legais. Tornou-se, finalmente, Cidade, em 1906, por força de lei 1.038, de 19 de dezembro daquele ano.

 

Da economia pioneira de plantação de milho e cereais, culturas primitivas destinadas à subsistência própria, o lugarejo e, posteriormente, a Vila de Santa Cruz do Rio Pardo optou pela criação e comercialização de suínos e gado bovino, dedicando-se, em seguida, ao plantio de café, algodão, fumo e alfafa.

 

Desde o início do povoado, ao ano de 1888, a agricultura santa-cruzense contou com a mão de obra escrava. Nos primeiros anos do século, transformara-se em grande exportadora de café, tendo a Estrada de Ferro Sorocabana como sua principal artéria de vitalidade econômica; e, na década de 1940, tornou-se uma das maiores produtoras de alfafa do Estado de São Paulo.

 

A tradição consagrou Joaquim Manoel de Andrade e Francisco Soares como os mais destacados desbravadores da região, aos quais coube o papel de ceder espaços e de estruturar legalmente o nascente povoado.

 

Com o estabelecimento da Vila de Santa Cruz do Rio Pardo, destacaram-se, politicamente, entre outros: Joaquim Manoel de Andrade, Padre Bartholomeu

Comenale, Henrique Hardt, Arlindo Crescêncio da Piedade, Moysés Nelli,

Joaquim Fernandes de Oliveira Negrão, Júlio de Cerqueira Cesar, Francisco Garcia

Duarte Oliveira, João Evangelista da Silva, Manoel Tavares e Emygdio José da

Piedade.

 

Em 1884, intensificaram-se as iniciativas para a edificação da igreja matriz da Vila. Para tanto, foi criado, pela Resolução Provincial nº 8, de 14 de março daquele ano, um imposto compulsório a ser aplicado no término do templo santa-cruzense. Em 1895, circulara o primeiro jornal, “O Paranapanema”, porém, somente entre os anos de 1902 e 1903 surgira o jornal com maiores subsídios à história da cidade: o “Correio do Sertão”. Apesar do bafejo do progresso, a cidade conservava o apelido de “Sertão”, consagrado por seu primeiro jornal de importância informativa. Essa condição primitiva e sertaneja favoreceu a ocorrência de desmandos em nome da posse de terras, demandas julgadas, comumente, de maneira arbitrária. A violência era alimentada pelas querelas políticas defendidas, com ardor, pelas diferentes tendências políticas. Em muitas ocasiões, os ânimos estiveram tão exaltados a ponto de provocarem embates sanguinolentos e mortes nas ruas da cidade.

 

A Proclamação da República, em 1889, provocara decisivas influências na formação administrativa e política da Vila, com o predomínio e a ingerência do Partido Republicano Paulista e de seus “coronéis” nas decisões locais. As denominações de ruas e praças de Santa Cruz do Rio Pardo testemunham as influências republicanas dos primeiros anos do século XX: Rua Eusébio de

Queiroz, Rua Saldanha Marinho, Rua Euclides da Cunha, Rua Conselheiro Antônio Prado, Rua Conselheiro Dantas, Praça Rui Barbosa, Praça da República e outras.

 

No alvorecer do século XX, a brisa da “Bellle Époque” trouxera alento ao progresso da cidade: substituíra-se a anacrônica iluminação pública de gás acetileno ou a querosene pela luz elétrica; criara-se a telefonia urbana; estabelecera-se um rigoroso “Código Municipal”; edificara-se a primeira escola pública estadual; intensificara-se a vida religiosa com a ereção de um novo templo; assentaram-se os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana.

 

A necessidade de inserção da Vila aos novos tempos do século XX, a sua grande produção de café, a partir de 1890, e a produção das demais culturas de exportação forçaram a construção de um ramal da Estrada de Ferro Sorocabana, ensejando também a vinda de inúmeros colonos italianos. O ramal, que partia do então distrito de Bernardino de Campos, fora construído à custa do próprio município, acarretando uma grande dívida e ocasionando sérias dificuldades ao atendimento das necessidades básicas da população. O ramal fora inaugurado em

1908, porém Santa Cruz do Rio Pardo vivera, por muitos anos, na mendicância de saneamento básico, além de não possuir uma escola pública patrocinada pelo

Governo Estadual. O advento da ferrovia intensificou o febril cultivo do café, desenhando inúmeros cafezais sobre seu vasto território. Os benefícios da exportação desse produto aceleraram a formação da burguesia local, consolidando a economia das grandes fazendas e a intensa participação dos imigrantes italianos. Em 1912, o ramal fora doado ao Governo do Estado, sem nenhuma compensação ao Município. A instalação de um Grupo Escolar acontecera apenas em 1915. Nos primeiros anos do século XX, atuaram políticos de merecido registro, como Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, João Baptista Botelho e Olympio Rodrigues Pimentel. Ao primeiro, além de outras conquistas para Santa Cruz do Rio Pardo, coube o mérito de ter implantado o ramal da Sorocabana. Ao Dr. Olympio Rodrigues Pimentel são atribuídas a implantação da iluminação elétrica, a telefonia e o estabelecimento de um amplo e rigoroso

Código de Posturas. De acordo com a Lei nº 1.038, de 19 de dezembro de 1906, e a

Lei nº 1.103, de 26 de novembro de 1907, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel fora eleito como o primeiro prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, em 16 de janeiro de

1908. Atuavam como vereadores da Vila: Olympio Rodrigues Pimentel, Affonso

Celso Baptista, Francisco Narcizo Gonçalves, Luiz Pereira Leite Ribeiro, Ubirajara

Pinto, Olympio Izaias de Carvalho, Godofredo Fernandes Negrão e João Pastore

Filho. Em 1909, tivera início as providências para a construção do Paço Municipal

(Câmara), que fora concluída em 1910.

 

Naquele ano de 1908, foi criado o Banco de Custeio Rural, sob a liderança de Antonio Evangelista da Silva. O Banco tinha por objetivo estabelecer contratos financeiros com os agricultores locais. Foram eleitos seus diretores, fiscais e suplentes: Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, Cel. Henrique da Cunha Bueno, Ubirajara Pinto, Dr. Arlindo Vieira Paes, Dr. Fernando Eugenio Martins Ribeiro,

Capitão Affonso Celso Baptista, Coronel João Castanho de Almeida, Dr. Lars Svensson e Dr. Américo França Paranhos.

 

No final do século XIX e nos primeiros anos do século XX, Santa Cruz do Rio Pardo perdera seus principais distritos, como Campos Novos (1885), São

Pedro do Turvo (1891), Salto Grande (1911) Ipaussu (1915), Óleo (1917), Chavantes

(1922), Bernardino de Campos (1923).

 

Em momentos cruciais da história brasileira, cresciam as dramáticas carências sociais em Santa Cruz do Rio Pardo. A história da cidade registrara altos índices de mortalidade infantil, casos de lepra e de outras doenças, o que era agravado pelas precárias condições sanitárias oferecidas nas primeiras décadas do século. A inexistência de atendimento hospitalar provocou flagelos, como o da “Gripe Espanhola”, entre os anos de 1918 e 1919, epidemia mundial que lançara tentáculos sobre a frágil Santa Cruz do Rio Pardo, ceifando muitas de suas frágeis vidas. A dor de uma cidade inspirou a lenta e conturbada construção de sua Santa

Casa de Misericórdia. As primeiras providências para a construção da Santa Casa de Misericórdia aconteceram em 1913, e a construção do novo prédio teve início na década de 1930.

 

Em 1914, Agnello Villas Boas ( nome de batismo Ângelo) , pai dos famosos sertanistas Villas Boas, é eleito prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo. A partir de 1915, surgem novas lideranças políticas: Leônidas do Amaral Vieira e Antonio Evangelista da Silva.

 

Em 31 de julho de 1915, o Coronel Antonio Evangelista da Silva é empossado como vereador e prefeito. Naquele ano é inaugurado o Grupo Escolar. Em 1917, Dr. Pedro Camarinha assumiu a Prefeitura, na ausência do seu titular, Antonio Evangelista da Silva. Em 1918, Leônidas do Amaral Vieira assumiu a Presidência da Câmara, e Antonio Evangelista da Silva se mantivera como prefeito. Em 1918, Santa Cruz do Rio Pardo é assolada pela epidemia da Gripe Espanhola.

 

O Coronel Antônio Evangelista, prefeito da cidade era acusado de tocaias e assassinatos. Tendo sido processado por diversos crimes, fora defendido por amigos, como Altino Arantes e Júlio Prestes, famosos advogados paulistanos, políticos do Partido Republicano Paulista. O coronel ascendera-se politicamente, tendo sido Delegado de Polícia, Presidente da Câmara e Prefeito, além de fazendeiro bem-sucedido e incontestável líder. Fora assassinado, num bar da cidade, no dia 8 de julho de 1922, marcando o declínio do poder local dos “coronéis” e significando um duro golpe na agremiação política comprometida com os ideais republicanos em Santa Cruz do Rio Pardo.

 

Em 1923, o Coronel Osório Bueno assumira a prefeitura, tendo como presidente da Câmara, Dr. Pedro César Sampaio. Na Câmara atuavam os vereadores: Agenor de Camargo, Coronel Albino Alves Garcia, Luiz Besana, Cel.

Osório Bueno, Dr. Pedro S. Sampaio Doria, Coronel José Eugênio Ferreira, Dr.

Julio Lucante e Dr. Ataliba Pereira Vianna. A partir da década de 1920, novos e significativos nomes surgiram no cenário legislativo da cidade entre eles, Dr.

Pedro S. Sampaio Doria, Dr. Ataliba Vianna, Coronel Albino Alves Garcia, Dr.

Júlio Lucante, Coronel Osório Bueno, Agenor de Camargo e Coronel José Eugênio

Ferreira.

 

Naquele ano de 1923, L.C. de Abreu Sodré realizara um relatório circunstanciado sobre a situação sanitária de Santa Cruz do Rio Pardo. Um dos problemas abordados no relatório dizia respeito aos depósitos de lixo urbano, que, muitas vezes, era abandonado em terrenos baldios ou em terrenos próximos à antiga Santa Casa de Misericórdia. Tais depósitos de lixo ocasionavam mau cheiro e se tornavam viveiros de moscas, de insetos, de ratos e de tudo o que fosse inconveniente para a higiene e para a saúde da população.

 

Em 1924, Dr. Pedro Cesar Sampaio assumira a Prefeitura. Naquele ano, a cidade recebera a visita de seus deputados representantes do 5º distrito: Ataliba

Leonel e Ralpho Pacheco. Em 16 de janeiro de 1925, elegeu-se prefeito Francisco Martins da Costa. Naquele ano instalavam-se na cidade as agências da Ford e da

Chevrolet. Em 1926, Dr. Pedro Camarinha fora eleito prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo. No ano seguinte, Leônidas do Amaral Vieira fora eleito prefeito, prenunciando conquistas importantes para Santa Cruz do Rio Pardo: a instalação da Escola Normal Livre, em 1928, e do Clube dos Vinte, em 1929.

 

Ligada umbilicalmente à rica cultura cafeeira, Santa Cruz do Rio Pardo conhecera, no entanto, momentos de letargia econômica provocados pela crise de

1929. Ofuscados pela Revolução de 1930, os velhos partidos políticos ressurgiram sob as bandeiras da UDN e do PSD, selando, mais uma vez, uma profunda e dolorosa divisão política e social na cidade.

 

A década de 1930 fora marcada pelas cicatrizes da crise econômica de 1929

e pelas instabilidades políticas que se sucederam. Os prefeitos da cidade passaram a ser nomeados pelos interventores estaduais. Em 1934, o prefeito nomeado, Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães, dava ciência ao governo estadual sobre a “situação deplorável” em que se encontrava Santa Cruz do Rio Pardo. Em razão das inúmeras carências do município, Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães elaborara um plano de expansão e remodelação da cidade, o que deveria ser executado pela empresa “Mauá”. A empresa deveria realizar estudos e construção de obras dos serviços de abastecimento de água e esgotos, por meio de operação financeira com concessão ou arrendamento. Em 1935, razões políticas abortaram

a administração de Dr. Abelardo Pinheiro Guimarães e de todos os seus planos de expansão e remodelação da cidade.

 

Os últimos anos da década de 1930 foram marcados pelas turbulências da

Primeira Guerra Mundial. O conflito inspirara a criação de diversos aeroclubes, entre eles, o de Santa Cruz do Rio Pardo, que tivera suas primeiras experiências em 1938. No mesmo período, instalavam-se, na cidade, os padres dominicanos italianos, que desenvolveram um importante trabalho pastoral e criaram a Escola

Apostólica. Além dos padres dominicanos, chegavam também as freiras espanholas, que dariam início às atividades do Colégio Companhia de Maria.

Em junho daquele ano, Leônidas Camarinha fora nomeado prefeito e, a partir de 1939, iniciaram-se grandes obras na cidade. O ano de 1939 fora um marco importante para história de Santa Cruz do Rio Pardo: inauguração do calçamento da cidade e do Matadouro Municipal. As inaugurações ocorreram no dia 6 de agosto de 1939, às onze horas da manhã, com lançamento e bênção da primeira pedra fundamental do calçamento da cidade, na esquina da Rua Conselheiro Dantas com a Avenida Tiradentes. A década de 1940 foi um período de grande crescimento para Santa Cruz do Rio Pardo, momento de sua história em que conheceu, antes de muitas outras cidades interioranas, melhoramentos que perduram até o presente momento. A partir da década de 1940, apesar das dissensões políticas, dimensionava-se a vida social acionada pela emulação. A cidade ganhara uma emissora de rádio (1949), porta-voz de uma tendência e passara por grande remodelação, desfazendo-se da velha fisionomia provinciana.

Santa Cruz do Rio Pardo fora uma das primeiras cidades do interior a receber os benefícios do asfalto. Foram realizadas obras de rede de esgoto, saneamento básico e arborização. O “velho burgo” transformou-se num importante centro comercial e estudantil, fazendo convergir para si grande número de pessoas em busca de negócios e escolaridade. Alguns de seus políticos escalaram destacadas posições no cenário estadual, como deputados junto à Assembleia Legislativa. Em

1947, Lúcio Casanova Neto, correligionário de Leônidas Camarinha, tornara-se, após o Estado Novo, o primeiro prefeito eleito pelo voto direto de seus concidadãos. Em 1951, tomara posse, como prefeito, Cyro de Mello Camarinha e,

em 1956, Lúcio Casanova Neto voltara a ocupar o cargo de prefeito. Nesta época,

ocorrem os voos regulares da VASP. Em 1958, Lúcio Casanova Neto rompera politicamente com Leônidas Camarinha e, através de um acordo entre a UDN e o

PDC, o vereador Onofre Rosa de Oliveira fora eleito prefeito de Santa Cruz do Rio

Pardo, nas eleições de 1959. Em 1969, Lúcio Casanova fora cassado pela Revolução de 1964, com base no Ato Institucional nº 5.

 

A partir da década de 1950, a vida social e cultural de Santa Cruz do Rio Pardo começara a acontecer com maior intensidade, sobretudo, a partir do surgimento dos principais clubes recreativos: o Clube dos Vinte e o Icaiçara Clube. Os clubes recreativos promoveram bailes cinematográficos. O novo Clube dos Vinte fora inaugurado em 1958, e o Icaiçara, no ano seguinte. A divisão política entre dois partidos provocou também uma divisão social. O Clube dos

Vinte viveu sob a inspiração dos “vermelhos”, isto é, do grupo político surgido na fusão de diferentes partidos políticos. A inauguração do Icaiçara Clube inspirou-se nos “azuis”, isto é, nos políticos ligados à UDN (União Democrática Nacional).

Antes da inauguração destes dois clubes, a vida social de Santa Cruz do Rio Pardo se restringia ao cinema, a eventuais circos, a alguns bares, a pequenos clubes em associações. Com a inauguração do Cine São Pedro, em 1º de outubro de 1946, o antigo prédio, na antiga Praça da República, que servia às sessões cinematográficas, cedeu lugar para a instalação do Soarema Clube. O Cine “São Pedro”, conhecido como “Palácio da Sorocabana”, fora transformado, no ano de 1988, em Palácio da Cultura “Umberto Magnani Netto”.

 

Na administração de Onofre Rosa de Oliveira fora criado o brasão do

Município. A partir da década de 1960, os clubes da cidade concentraram toda a efervescência dos “anos dourados” na realização de programas especiais para a juventude e para as crianças, assim como em seus monumentais bailes e concursos. Carlos Queiroz, como prefeito da cidade, destacara-se pelo apoio dado à efervescência cultural, colocando a Rádio Difusora como o principal elemento irradiador das atividades. Em sua administração, criara a bandeira do Município e promovera a instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Instituição Toledo de Ensino, o que fora concretizado durante a segunda administração de Onofre Rosa de Oliveira. Na mesma ocasião, a OAPEC instalara também sua Faculdade de Filosofia. Na década de 1960, apesar do descontentamento da população, a velha igreja matriz fora demolida. Em seu lugar, foi construído um novo templo. No mesmo período, houve também a desativação da linha férrea da Sorocabana.

 

Em 1969, Onofre Rosa de Oliveira assumira, pela segunda vez, a Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, promovendo importantes obras e envolvendo a cidade na celebração de seu Centenário. Em 1973, Joaquim Severino Martins fora eleito prefeito da cidade, sendo sucedido por Aniceto Gonçalves que, entre outras obras, instalara a Sabesp na cidade, fato que gerara sérios conflitos na população.

Em 1983, Onofre Rosa de Oliveira, pela terceira vez, fora eleito prefeito da cidade, administrando em meio a um grave processo inflacionário vivido pelo país. Carinhosamente chamado de “Caboclinho”, Onofre, além de inaugurar o

Palácio da Cultura “Umberto Magnani Netto”, ativara a Fanfarra Municipal e promovera obras na cidade e na zona rural. Fora sucedido por seu vice-prefeito, o médico Dr. Clóvis Guimarães Teixeira Coelho. Após crise interna no PMDB,

Manuel Carlos Manezinho Pereira ganhara as eleições para a Prefeitura, em 1992.

Onofre Rosa de Oliveira falecera em 17 de maio de 1995, e, em 1996, o prefeito

Manoel Carlos Manezinho Pereira, por projeto de lei do vereador Roberto Marsola, prestara homenagens póstumas a Onofre Rosa de Oliveira, nominando o

Paço Municipal de “Onofre Rosa de Oliveira”. Após a administração de Manuel

Carlos Manezinho Pereira, Santa Cruz do Rio Pardo fora novamente administrada pelo médico Dr. Clóvis Guimarães Teixeira Coelho, tendo como vice-prefeito,

Adilson Donizeti Mira. A partir de 2001, a gestão da cidade coubera a Adilson Donizeti Mira. Nas eleições de 2004, Adilson Donizeti Mira candidatou-se à reeleição. Adilson Donizeti Mira venceu as eleições para mais uma gestão, que teve início em janeiro de 2005. Em 2009, a Vice-prefeita de Adilson Donizeti Mira, Maura Romualdo Macieirinha, vencera as eleições, tornando-se a primeira mulher a governar os destinos de Santa Cruz do Rio Pardo.

 

Não obstante estudos realizados na década de 1950, que indicavam possibilidades de um processo de industrialização, Santa Cruz do Rio Pardo teimara em manter-se fiel às suas tradições agrárias. Com a indefinição da agricultura e com a falta de um processo de industrialização, o Município debatesse diante de opções que lhe assegurem sua definitiva vocação. Muitas dessas iniciativas voltam-se para o processo de beneficiamento de arroz, para a indústria calçadista e para inúmeras atividades comerciais. O processo de escolarização superior e técnico, apesar da instalação da Escola Senai e de algumas escolas técnicas, ainda mantém-se dependente de centros estudantis maiores, o que exige grande trânsito escolar rumo às cidades vizinhas. O município que, em outros tempos, assistira ao êxodo rural, ainda vive sob a ameaça do êxodo de sua juventude e de sua força de trabalho, ambas correndo o risco de seguir em busca de novas oportunidades, em outras paragens. Esse é um desafio para os atuais e futuros governantes da cidade.

 

Desde os meados do século XIX, embora fragilizada pelas condições da vida nacional, Santa Cruz do Rio Pardo transcendera muitas de suas dificuldades, enfrentando as barbáries de uma vida primitiva e sertaneja, inserindo-se, no entanto, com galhardia, no convulso e formidável século XX. No vestíbulo do cibernético século XXI, a Cidade enfrenta novos desafios: a ameaça das modernas barbáries engendradas pela disseminação da droga, da violência, da corrupção e da banalização da vida. Além disso, o novo século traz novas carências materiais,

que devem ser supridas pela ação de governantes identificados com a população e pela dinâmica da sociedade civil. A integração de Santa Cruz do Rio Pardo aos novos tempos apenas será possível se, em cada santa-cruzense, coexistirem a chama de amor às tradições e a vontade indômita de fazer a CIDADE reencontrar-se com seus destinos.

 

JM JUNQUEIRA